Estudo do Data Nubank com BID e SEBRAE destaca que setores da educação, saúde e serviços sociais concentram a atuação dos pequenos negócios femininos

A desaceleração da economia durante pandemia da covid-19 impactou de maneira mais severa o planejamento financeiro das mulheres empreendedoras. Durante a crise, elas não têm conseguido guardar tanto dinheiro quanto os homens, segundo um levantamento feito pelo Data Nubank em parceria com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e o Sebrae ( Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas). Neste ano, elas guardaram 47,6% a menos do que os homens em volume financeiro. Há dois anos, em 2019, antes da pandemia, a diferença era de 17,2%

Para trazer o retrato que mostra que a diferença de depósitos feitos por mulheres e homens empreendedores, na função “Guardar dinheiro” do Nubank só tem crescido, o estudo parte de um cenário amplo sobre empreendedorismo, com dados gerados e interpretados pelo Sebrae a partir de 2002 e análises e recomendações sobre políticas públicas feitas pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Também foi analisado o comportamento de consumo de clientes da função “guardar dinheiro” do Nubank entre maio de 2019 e junho de 2021 – considerando clientes MEI que também possuem conta de pessoa física, já que a funcionalidade ainda não está disponível para clientes pessoa jurídica.

Dessa forma, as mulheres economizaram menos dinheiro do que os homens. E esse fator explica também os motivos de elas terem realizado menos saques durante o período. Com uma reserva mais robusta para casos de emergência e mais dinheiro disponível, os homens tiveram o privilégio de fazer mais retiradas.

Em relação às retiradas, desde o começo da série, a diferença tem apresentado uma tendência de crescimento. Em 2019, por exemplo, empreendedores homens haviam sacado de suas reservas um volume financeiro 32,6% superior em comparação ao valor retirado por elas. A consequência, apontada pela pesquisa dos homens resgatarem mais dinheiro de suas reservas financeiras do que mulheres é de que os empreendimentos chefiados por homens têm maior probabilidade de sobreviver. Brasil e políticaTaxa de desemprego cai para 12,6% no 3º trimestre de 2021, diz IBGESaque-aniversário do FGTS: Prazo para nascido em novembro aderir termina hoje

“Por dedução, ao faturarem mais, a tendência é de que homens guardem mais dinheiro. O que chama atenção não é o fato deles fazerem mais uso dessa função, mas um aumento tão significativo dessa distância entre os gêneros durante o período da pandemia. A reserva financeira pode ser fundamental em situações extremas, como o momento de crise atual, e pode ser a diferença entre a sobrevivência ou o fim do negócio”, observam os pesquisadores no relatório.

A atuação das empreendedoras tem se concentrando em setores de educação, saúde, serviços sociais, indústria geral, alojamento e alimentação. Já os homens empreendem em negócios relacioados à agropecuária, construção e transporte. À frente dos negócios, 17% são de mulheres de cor branca e amarela, e as outras 18% são pretas, pardas e indígenas, quase meio a meio, segundo a análise do BID a partir de dados da PNAD Contínua do IBGE de 2019. De maneira geral, os negócios femininos não empregam outras pessoas, mas, quando têm funcionários, 83% do quadro é composto por outras mulheres .

Um outro destaque da pesquisa é sobre os pedidos de empréstimos na crise para manter seus negócios abertos.

Solicitação de empréstimo por gênero — Foto: Nubank

Solicitação de empréstimo por gênero — Foto: Nubank

Apesar de recorrerem menos aos empréstimos, elas obtiveram mais êxito quando o fizeram: 54% das MEIs geridas por mulheres tiveram seus pedidos de crédito aprovados, versus 50% dos homens, de acordo com dados do Nubank.

A pesquisa, que também observou dados sobre faturamento, funcionamento, e perfil de investimentos dos negócios, além do impacto da pandemia na vida pessoal das empreendedoras, aponta alguns caminhos necessários para que o cenário de desigualdades comece a ser desconstruído. Entre as recomendações do BID estão a concessão de crédito e o apoio à criação de startups; e apoio à inovação, à transformação digital e à entrada em mercados mais dinâmicos e rentáveis.

Fonte: Valor Investe

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