Por Adinaldo Diniz

Do momento em que o leitor iniciar sua leitura até sua conclusão, uma ou mais mulheres entrarão para as estatísticas de agressão no país. Segundo os dados de violência de gênero, no Brasil, a cada 2 minutos uma  mulher é agredida e, a cada 7 horas ocorre um feminicídio, fazendo do país o quinto mais violento do mundo.

O paradoxo desses números é que temos a Lei que é considerada a Terceira mais Completa do Mundo.

Quando paramos para entender o que está acontecendo somos levados a um misto de sensações desagradáveis, passando pelo silencio da mulher em situação de violência, a impunidade dos casos, e, também pelo perfil do agressor.

Segundo Lynnah, existem três perfis de mulheres e três perfis de agressores.

Em relação as mulheres, temos aquela que acredita no agressor, onde este em cada novo episódio se mostra arrependido e utilizando do bordão mais traiçoeiro que é “ …essa foi a última vez. ” Há a mulher com dependência financeira, que se vê chantageada pelo parceiro agressor, sendo submetida cada vez mais a violência psicológica. E, há a mulher com dependência emocional, que por pior que seja a situação não se vê sem o agressor. Em muitos desses casos, essa mulher já não tem mais o apoio dos familiares porque se afastaram inconformados com a situação, dos amigos também a mesma forma. E, sozinha, frágil, é tudo que o agressor precisa.

Em relação as mesmas mulheres, uma constatação que choca: 40% das mulheres agredidas se declaram cristãs e evangélicas, segundo dados apresentados pela Lynnah Cassarini. Aqui existem duas questões a serem pontuadas: os agressores que também se declaram cristãos e evangélicos que usam da sua influência e em alguns casos dos cargos que ocupam para estarem ainda mais em evidência, o que faz com que a vítima sinta ainda mais vergonha em expor o caso, para não ferir um ministério ou mesmo apontamento no meio dos fiéis. Também existem os agressores casados com as mulheres evangélicas e cristãs que pelo fato de não aceitarem sua mudança de comportamento, sua vivência orientada para uma vida cristã, não se conformam e agridem estas mulheres.

Segundo Lynnah, as igrejas têm compreendido seu papel e a importância que possuem, abrindo suas portas e convidando para a realização de palestras que exponham abertamente o tema. De acordo com Lynnah, essa tem sido uma demanda bastante requisitada nesse período de um ano e seis meses.

Falamos do perfil feminino, tratemos agora do perfil do agressor. O primeiro deles, em face de suas heranças culturais e familiares, seguindo uma orientação de patriarcado, que é típico exemplo de homem que não aceita a mulher trabalhar, não permite que tenha uma liberdade de ir e vir, controla suas vestimentas, com quem fala e pelos locais que pode circular: o tipicamente conhecido vulgarmente como “machão”.

O segundo perfil de agressor é aquele que deseja se consertar. Pode ter sido realmente sua primeira vez e em arrependimento e vergonha pelo seu ato precisa de ajuda para não mais repetir este ato. Fato é que este perfil de agressor responde imediatamente aos seus atos e reconhece-os cessando as agressões, tanto pelo fato da vergonha em ser exposto quanto pelo fato de um processo chegar até os recursos humanos da empresa e isso lhe custar uma demissão.

O terceiro perfil, o mais perigoso, não se intimida com lei, com medida protetiva, com prisão, com nada. Esse geralmente é o perfil doentio que não aceita a separação, o rompimento ou o afastamento por conta de violência familiar e está disposto a jogar fora inclusive sua vida para destruir e pôr fim a vida de sua antiga parceira.

Seja a agressão física, moral, psicológica, patrimonial e sexual, há uma abordagem definida e assertiva pelo Projeto Acredita Poderosa, conforme aponta Lynnah Cassarini, idealizadora do projeto.

Em Mogi das Cruzes, o Projeto Acredita Poderosa conta com a parceria da Patrulha Maria da Penha, que desenvolve um serviço importantíssimo e é referência em todo Alto Tietê, acompanhando as mulheres em situação de violência para que seja dado fiel cumprimento as medidas Proteu ativas. O projeto conta também com parceiras que prestam serviços voluntários como orientação jurídica civil e criminal, psicológica, treinamentos de inteligência emocional , psicanálise  e também cursos profissionalizantes presentando o ramo do empreendedorismo para que a mulher possa adquirir independência financeira e finalmente romper com o ciclo de violência

De fato, constata-se urgente necessidade de atuação do poder público em parceria com ONGs e projetos como este citado acima visando coibir as agressões, orientar e levar informação as mulheres onde quer que elas estejam e, através da educação nas escolas, ensinar meninos e meninas os valores do respeito, da família, do caráter e da construção de uma sociedade mais digna para todos.

Em Mogi das Cruzes, o Projeto Acredita Poderosa atua em parceria com o poder público. Hoje são 900 assistidas pela Patrulha Maria da Penha, um serviço importantíssimo que acompanha uma a uma as mulheres por ela assistida, contando com viaturas e policiais inteiramente comprometidos em proteger estas mulheres.

O projeto Acredita Poderosa pode ser acessado via redes sociais @acreditapoderosa e também pelo Whatsapp11-99651-6532, com Juliana Oliveira, relações públicas do projeto, ou com Lynnah Cassarini, presidente do projeto Acredita Poderosa.

Não se cale, não silencie. Não existe briga de marido e mulher quando a violência é aplicada, o que existe nesse momento é alguém vítima de uma agressão. Contribua para que estas temíveis estatísticas sejam reduzidas

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