O Open Banking está sendo implantado gradativamente no Brasil. A fase 3, com o escopo de pagamento, teve sua primeira entrega, com compartilhamento de informações sobre serviços de transferência via PIX no dia 29 de outubro deste ano e, ao redor do mundo, já é possível vislumbrar seus primeiros resultados. No Reino Unido, por exemplo, o sistema está em operação desde 2018 e já possui mais de 40 bancos e 250 provedores de serviços para atender a mais de 3 milhões de clientes. O diretor de serviços financeiros da Infosys Brasil, Luiz Sassá Jr, comenta os impactos que devem ser observados durante essa transformação no mercado brasileiro. A Infosys é líder global em consultoria e serviços digitais de última geração.
“Quem apostou que os grandes bancos seriam severamente afetados ou substituídos por fintechs no curto prazo poderá se surpreender, pois eles ainda têm um papel fundamental, seja como detentores de grande parte da base de clientes e seus respectivos dados, ou como parceiros de novas instituições. O Open Banking deve agregar serviços das fintechs aos grandes bancos, incentivando a melhoria dos serviços. No entanto, isso não exime as grandes instituições financeiras de ficarem atentas ao mercado, porque podem perder competitividade por não acompanharem as inovações oriundas do Open Banking”, diz Sassá Jr.

Abaixo, ele lista as principais tendências que devem surgir após a implantação do Open Banking no Brasil:

Mais parcerias: as instituições financeiras vão poder unir forças com empresas de diversos setores, como varejo, saúde e turismo, por exemplo, para criar produtos, reforçando o aspecto do “Embedded Finance”. Um exemplo é o empréstimo de dinheiro no momento da compra, de acordo com o perfil e histórico de compra do cliente, tanto fisicamente quanto no mundo digital. Pode ser possível também fazer uma oferta de câmbio ao comprar uma passagem aérea para outro país, de acordo com o volume de viagens que o cliente faz para o exterior.

Novas categorias profissionais: com a possibilidade de se utilizar comparadores de serviços e produtos, uma nova profissão pode surgir no Brasil, a de Agente de Serviços Financeiros Independente ou IFA (Independent Financial Adviser), ou seja, profissionais que não possuem um vínculo direto com uma instituição financeira específica, mas são comissionados por serviços vendidos, papel similar ao de um corretor de seguros no Brasil. Esse profissional já atua em locais como Reino Unido e Hong Kong, tendo o papel de oferecer aos seus clientes os melhores produtos e serviços disponíveis no mercado, independentemente da instituição financeira, com um impacto relevante no mercado, possibilitando o fomento da concorrência e agregando o máximo de valor para o cliente.

Monetização de dados (entre IF): é a possibilidade de cobrança entre as instituições financeiras. O Banco Central ainda definiu as regras dos limites básicos de informações dos clientes que podem ser trocadas entre as instituições financeiras, considerando quais informações estarão disponíveis para troca de forma gratuita e que tipos de trocas de dados poderão ser remuneradas. Neste caso, o cliente não deverá ser cobrado.

Prateleira de produtos e serviços financeiros: assim como em um supermercado ou um e-commerce, o Open Banking possibilitará aos clientes escolher seus produtos e serviços, como câmbio, crédito, investimentos, em uma prateleira.

Ampliação do mercado de loyalty e cashback: será possível a extensão dos serviços prestados pelas empresas de loyalty e cashback, que reforçarão a busca de parcerias para fortalecer os produtos de cada instituição financeira, com o objetivo de oferecer produtos mais atrativos ao cliente, além de ser uma oportunidade de troca de benefícios pelo maior bem do cliente: seus dados.

Personalização: como o cliente será o centro desse ecossistema, empresas com uma capacidade de estabelecer campanhas pró-ativas, que estimulem o cliente a prover os dados para ganhar um benefício instantâneo, terão um grande diferencial. Essas soluções, associadas a um trabalho de ciência de dados e Inteligência Artificial, irão gerar vantagem competitiva.

Bancos como hub de serviços financeiros: os bancos serão essenciais nessa transformação, com três novos papéis. O primeiro é o de Integrador entre agentes do Open Banking (IF, ITP, ID), que permite que ofertas de terceiros sejam integradas às de um banco ou provedor terceirizado por meio de APIs e microsserviços. O segundo é de distribuidor de serviços por meio de parceiros. Esses bancos continuarão a desenvolver e possuir seus produtos e serviços, mas usarão terceiros como distribuidores. Por fim, serão plataforma de serviços e produtos financeiros, atuando como intermediários de mercado para clientes, integradores e instituições financeiras. Esses bancos ainda podem manter ações tanto no desenvolvimento quanto na distribuição de produtos.

Segundo o diretor da Infosys Brasil, a previsão é de que o Open Banking ajude a fomentar novos modelos de negócios e casos de uso para o mercado brasileiro, fazendo com que as empresas participantes estejam atentas aos novos produtos e serviços que já são realidade em outros países e que podem ser trazidos para o Brasil. Sassá reforça também que é importante as Instituições Financeiras que não aderiram ao Open Banking ainda, que se atentem às lições aprendidas das que foram obrigadas a participar nesta etapa e, que estabeleçam agendas concretas para se preparar ao novo conceito de dados abertos (Open Data) e Embedded Finance viabilizados pelo Open Banking.

Sobre a Infosys
A Infosys é uma das líderes globais de serviços digitais da próxima geração e consultoria. Capacitamos clientes em 50 países a navegar em sua jornada de transformação digital. Com mais de três décadas de experiência na gestão de sistemas e processos de empresas globais, temos a habilidade de orientar os nossos clientes em sua jornada digital. Visite www.infosys.com para ver como a Infosys (NYSE:INFY) pode ajudar a sua empresa a navegar rumo à transformação digital.

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