A Articuladora de Negócios de Impacto da Periferia (ANIP) anuncia os destaques da segunda edição do Lab NIP – programa gratuito de aceleração, alinhado ao conceito de inclusão produtiva, que potencializa negócios criados e geridos por empreendedores sociais de periferias. Editora Kitembo, Gaia, LabJaca, Negrei e Visão do Bem se destacaram na edição 2021 e vão receber R$ 15 mil cada, além de apoio personalizado por mais seis meses do Emperifa. A ANIP é uma iniciativa de A Banca, Artemisia e FGVcenn.

Com o objetivo de apoiar a potência de uma nova geração de empreendedores das periferias do Sudeste e Sul do Brasil, a Articuladora de Negócios de Impacto da Periferia (ANIP) conduziu a segunda edição do Lab NIP, um programa de aceleração de curta duração gratuito, que recebeu mais de 370 inscrições. Resultado da coalizão de A Banca, Artemisia e FGVcenn, a iniciativa apontou como destaques Editora Kitembo, Gaia, LabJaca, Negrei e Visão do Bem. As seis empresas – que apresentaram melhor desempenho no processo – vão receber um capital-semente de R$ 15 mil cada, além de apoio personalizado por mais seis meses conduzido pelo Emperifa, que possui foco em negócios periféricos da indústria criativa. O Lab contou com o apoio da Fundação Arymax, Fundação Tide Setúbal, Fundação Casas Bahia, do Instituto Humanize e AZ Quest.

Segundo DJ Bola, presidente-fundador da A Banca e um dos idealizadores da Articuladora de Negócios de Impacto da Periferia, o segundo ano do Lab NIP compartilhou inspiração, capacitação, articulação de investimentos e de apoios distintos aos negócios periféricos – sempre dentro da perspectiva de uma atuação mais abrangente da ANIP. “Nosso tom de voz é de abundância, algo novo quando se fala em empreendedorismo periférico e na vivência nas quebradas. Queremos trazer luz ao crescimento das iniciativas, sobretudo os destaques, pontuando uma narrativa de coalizão que está a serviço do empreendedor. Essa é uma conversa nova que está crescendo dentro das periferias, porque por longos anos estivemos imersos em discursos de escassez”, afirma Bola.

Maure Pessanha, diretora-executiva da Artemisia, destaca que a segunda edição do Lab NIP teve por objetivo auxiliar os empreendedores das periferias do Sudeste e Sul do Brasil, por meio do fortalecimento do capital humano e social e do acesso a ferramentas e conhecimentos do universo de empreendedorismo de impacto. “Tudo foi pensado para criar pontes dentro e fora das periferias”, afirma a executiva, acrescentando que a iniciativa dialoga com a estratégia de inclusão produtiva, conceito que se refere à inserção qualificada de pessoas – em situação de vulnerabilidade econômica – no mundo do trabalho, ou seja, iniciativas e políticas públicas voltadas à diminuição da exclusão social e ao aumento da produtividade do país.

“Presente no âmbito internacional e nas ações governamentais e de fundações filantrópicas, essa reflexão emergiu da compreensão do quanto o aumento do nível de renda é fundamental para a redução da pobreza e para a inclusão social”, afirma, acrescentando que a meta da edição 2021 é buscar incluir, também, as iniciativas de quilombolas e ribeirinhos, respeitando a seleção territorial do programa. “É importante ressaltar que o Lab NIP busca endereçar diferentes Objetivos de Desenvolvimento Sustentável”.

Edgard Barki, coordenador do FGVcenn, ressalta que esse movimento de apoio ao empreendedorismo periférico brasileiro tem o objetivo de aprofundar o olhar para a periferia e aumentar o protagonismo local. “Queremos identificar e apoiar as inovações sociais que emergem das periferias e podem contribuir com um olhar mais inclusivo para os negócios”, afirma, reforçando que é preciso ampliar a rede de apoio aos negócios para fortalecer essas inovações.

Dos 30 negócios selecionados pela “Articuladora de Negócios de Impacto da Periferia” para a segunda edição do programa de aceleração Lab NIP, 63% das empresas são lideradas por mulheres; dessas, 68,4% se autodeclararam pretas. A análise dos participantes mostrou que 57% já contam com produtos e serviços com clientes e estão em fase de crescimento; 43% ainda estão em fase de testes com os primeiros clientes. Do total de acelerados desta edição do programa, 73% possuem faturamento anual de até R$ 50 mil. O levantamento aponta que a receita gerada por esses 30 negócios, em 2020, foi de R$ 1,4 milhão; mais de 3 mil clientes foram impactados pelas soluções; e 170 pessoas têm empregos nesses negócios (empreendedores, sócios e colaboradores). Todos os dados são resultado de autodeclarações feitas pelos empreendedores do programa.

DESTAQUES | LAB NIP 2021 |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||

KITEMBO EDIÇÕES LITERÁRIAS DO FUTURO | São Paulo www.facebook.com/kitemboliteratura/

Fundada em 2018 por Israel Francisco do Nascimento Neto e Anderson da Silva Lima, a Kitembo é uma editora que produz, publica e distribui livros de escritores negros nos gêneros de literatura fantástica, ficção científica e afrofuturismo. A meta é incluir os autores no cenário da cultura pop, promovendo a diversidade, e tornando-a acessível aos leitores dos gêneros. O negócio de impacto social oferece, ainda, serviços de assessoria editorial, palestras e formações.

GAIA INOVAÇÃO EM TECNOLOGIA EDUCACIONAL | São Paulo | www.gaia-ite.com

Fundada em 2019 por Bruno Trivellato, Flávio Pereira e Renata Oliveira, a Gaia  é um negócio de impacto social que busca democratizar o acesso à educação tecnológica e científica de qualidade. A atuação se dá por meio de cursos livres de robótica educacional aplicada às ciências – com kits robóticos próprios e uma plataforma de ensino a distância.

LABJACA | Rio de Janeiro | www.labjaca.com

Fundado em 2020 por Mariana de Paula Santos e Thiago Alves do Nascimento, o LabJaca é um laboratório de formação e produção que transforma dados, pesquisas e comunicação – compilados nas favelas e periferias – em narrativas audiovisuais acessíveis para a população. O objetivo é combater a narrativa “marginal” que costuma estigmatizar o morador de favela, trocando-a pela valorização do conhecimento local e pautar políticas públicas que visam potencializar esse território. O grupo é formado por jovens negros que têm o audiovisual como carro-chefe para a divulgação científica de dados que potencializam as narrativas faveladas e periféricas, tornando a pesquisa acessível para a população. Surgido no contexto da pandemia de Covid-19, o negócio de impacto social conduziu a campanha Jaca contra a Corona, que atendeu mais de 3 mil famílias em situação de vulnerabilidade social no Jacarezinho.

VISÃO DO BEM | Rio de Janeiro | www.instagram.com/socialvisaodobem/

Fundado em 2017 por Ana Lúcia Barbosa Santos, o negócio de impacto social realiza a venda de óculos de grau, exclusivamente dentro das comunidades. O foco é oferecer, a pessoas em situação de vulnerabilidade social, o acesso a consulta, exame oftalmológico e óculos de qualidade com preços acessíveis. A venda é feita por mulheres moradoras das comunidades, que passam por capacitação e atuam como comissionadas para terem renda com a revenda direta porta a porta.

NEGREI | Rio de Janeiro | www.negrei.com.br

Fundada por Rafael Lima em 2019, a Negrei é uma marca de comunicação antirracismo que – ao utilizar frases e expressões do cotidiano nacional – conduz denúncias, gera discussões, reflexões e incômodos ao mesmo tempo em que empodera as pessoas de pele preta. De maneira “silenciosa”, as pessoas que usam os produtos Negrei têm conseguido propagar o ideal da marca e trazer transformações para o próprio cotidiano.

A BANCA | A Banca nasceu como um movimento juvenil no final da década de 1990, quando o Jardim Ângela era o lugar mais violento do mundo. Em 2007, passou pelo processo de aceleração da Artemisia; em 2008, estruturou-se juridicamente, tornando-se uma associação. Desde o início de suas atividades, A Banca já realizou mais de 130 eventos gratuitos em espaços públicos da cidade de São Paulo, nos quais se apresentaram 120 grupos musicais, beneficiando diretamente 45 mil pessoas. Atuou com mais de 25 escolas públicas e privadas, oferecendo intervenções educacionais por meio da cultura Hip-hop e da Educação Popular. Foi a pioneira em fazer conexões de impacto, em busca de romper as barreiras invisíveis culturais, sociais e econômicas com pessoas de diferentes realidades na cidade de São Paulo.

FGVcenn | O Centro de Empreendedorismo e Novos Negócios (FGVcenn) foi criado em junho de 2004 com a missão de ser um gerador de conhecimento em empreendedorismo no Brasil, construindo uma cultura empreendedora na Fundação Getulio Vargas e contribuindo para impulsionar o ecossistema de empreendedorismo no Brasil. Para isso, o Centro reúne pesquisadores de formações diversas para estudar e propagar conhecimento sobre empreendedorismo de forma multidisciplinar, independente e de acesso público. O FGVcenn é reconhecido como um centro de excelência sobre empreendedorismo e realiza uma série de eventos, workshops, congressos e pesquisas, a maioria deles oferecida gratuitamente a um público interno e externo à FGV.

ARTEMISIA | A Artemisia é uma organização sem fins lucrativos, pioneira na disseminação e no fomento de negócios de impacto social no Brasil. A organização apoia negócios voltados à população em situação de vulnerabilidade econômica, que criam soluções para problemas socioambientais e provocam impacto social positivo por meio de sua atividade principal. A missão da organização é identificar e potencializar empreendedores(as) e negócios de impacto social que sejam referência na construção de um Brasil mais ético e justo. A organização já apoiou mais de 500 iniciativas de todo o Brasil em seus diferentes programas, tendo acelerado intensamente mais de 180 negócios de impacto social. Fundada em 2005, a organização possui atuação nacional. www.artemisia.org.br

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